Palavra do Presidente

 

Regulamentar não é acabar

A recente publicação do Decreto que regulamenta a  atividade dos ambulantes que atuam em Mogi Mirim causou muito mal estar e um movimento dos profissionais envolvidos. A publicação aconteceu  para tentar coibir os abusos que vinham ocorrendo em vários pontos da cidade. A iniciativa do prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB) não visa acabar com a atividade, mas colocar cada um no seu devido lugar.

Se analisarmos o que é um ambulante, muitos  deles não se enquadrarão, pois não ambulam, como prevê a lei. Independente disso, é preciso que o Poder Público submeta cada caso ao crivo da lei. Sei que todos precisam trabalhar e que muitos encontraram naquela atividade uma  forma de conseguir o sustento. Da forma como está hoje, a situação é insustentável e foge ao controle.

Como presidente da Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim (ACIMM), sinceramente não concordo com a disposição dos ambulantes na Praça Floriano Peixoto, o  Jardim Velho. Não sou contra o comércio, mas com a disposição. Se os “ambulantes” estão naquele lugar é por que alguém deu autorização e isso não está em discussão. Acho que é chegada a hora de discutir a forma de atuação e como eles permanecerão naquele local.

Não é preciso ir longe para ver aquele tipo de comércio atuando em boxes uniformes, padronizados. Mogi Mirim sempre foi uma cidade à frente de seu tempo e não será agora que irá sucumbir . Não podemos crucificar o prefeito por querer regulamentar uma situação e acho que passou da hora. Ninguém quer gerar desemprego ou prejudicar os trabalhadores. Queremos apenas igualdade e uma cidade organizada.

Hoje Mogi Mirim tem a questão dos ambulantes pulverizada, seja no Centro, como na periferia. É preciso tomar consciência que  o ambulante tem todo direito de ganhar seu dinheiro, mas de forma organizada. Não é no meio da rua, colocando em risco a vida dos consumidores ou mesmo produzindo alimentos sem os devidos cuidados. Vamos começar padronizando os locais de venda, fixando os mesmos em boxes padronizados e atendendo as exigências do setor da saúde.

Qualquer ambulante quer um local decente para trabalhar e garantir o seu sustento. A questão vai mais além de uma simples proibição. Num primeiro instante pode parecer ruim, mas é preciso organizar para que todos possam ganhar. Em vez de ficarmos contra a prefeitura, vamos chegar a um denominador e buscar até a criação de uma zona destinada  aos ambulantes. De tudo que se viu, só não se pode relutar em fazer tudo bem feito.

Como comerciante e fornecedor de pães, já vi muita gente conseguir seu lugar ao sol, após ter passado por situação semelhante. Acho que é chegada a hora de sentar, discutir a situação e colocar em prática uma nova etapa na cidade. Chega de brigas, vamos ao que interessa e, em vez de brigas, queremos sugestões que contribuam e não desqualifiquem quem está trabalhando pelo bem da cidade.

 

Sidney Natalino Coser

Presidente