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  • Mai

    15

    2019

A moda e o futuro

O ser humano sempre vislumbrou o futuro como uma época de facilidades, mas quando falamos de moda o assunto é outro. A palavra revolução talvez seja a mais plausível para sintetizar o que está por vir.

Nas lojas do futuro, gastaremos dinheiro em verdadeiros “templos da moda”. As lojas de departamento mudarão completamente, se tornando santuários sensoriais e lugares para reuniões. Assistentes de loja, humanos e robóticos, serão altamente qualificados, não tanto na arte de vender, mas de dar prazer. Usarão a inteligência artificial para descobrir o que nos faz felizes.

Segundo especialistas, podemos ficar um pouco mimados sendo acostumados a ter todos nossos caprichos materializados instantaneamente. A internet não significa o fim do shopping físico, mas sim o seu renascimento. As vitrines das lojas serão a nova homepage. Escolha o produto na vitrine holográfica, pelo movimento dos olhos ou toque, e suas compras estarão esperando por você no momento em que você chegar em casa.

Os centros comerciais serão uma integração entre fazendas urbanas e jardins verticais com áreas residenciais e lojas automatizadas controladas por inteligência artificial. A previsão é que em 2050, as redes de fast fashion de roupa pronta serão substituídas por minifábricas, em que os clientes poderão personalizar artigos de moda escolhendo os mais diversos materiais que depois serão fabricados dentro da loja ou em outra loja próxima (sem desperdício ou poluição) em até uma hora por máquinas de impressão 3D ou bioimpressas 3D para serem entregues em casa por um robô de entrega.

 

O cliente de luxo internacional

Em 2050, o mundo vai estar em movimento. O cliente de luxo que visita Londres pode ter uma casa na China e um escritório em Buenos Aires. Você vai ser capaz de comprar o que quiser em qualquer lugar.

Os clientes de luxo internacionais esperam restaurantes, cultura, ar excepcionalmente limpo, efeitos de iluminação sofisticados para trazer alegria, mesmo em um dia escuro, e ser transportado por um carro de autocondução movido à energia solar e que estacionará sozinho.

 

Sua camiseta vai conversar com seu smartphone

As possibilidades da fusão entre tecnologia, biologia e corpo humano estão prestes a mudar a indústria da moda além do reconhecimento. No entanto, a tecnologia vestível do futuro não serão os relógios inteligentes, serão materiais, como grafeno, que podem fazer coisas que se pensavam impossíveis.

Nanotecnologia permitirá que os fabricantes incorporarem “superpoderes” nas roupas se autorreparar se danificadas, trocar de cor e estampa, mudar a textura e usar como energia cinética do corpo em movimento ou à luz solar. Sua camiseta terá microeletrônica orgânica acoplada na fibra de forma invisível que se conecta com a inteligência artificial em seu smartphone, para monitorar sua saúde e exercícios físicos.

Os pesquisadores também estão investigando o potencial para a microencapsulação de medicamentos e perfumes, que podem então ser incorporados nos tecidos e entregues diretamente sobre a pele, e sensores biométricos que detectarão quando você estiver estressado ou agitado e expelirão uma fragrância para acalmá-lo. Tudo será construído para tornar a vida mais fácil por meio de roupas antiodor, hidrofóbicas e repelentes de sujeira.

 

A roupa sustentável perfeita

É impossível superestimar o impacto de ser capazes de imprimir nossas próprias roupas em uma impressora 3D em casa. O que alguns chamaram a quarta revolução industrial já está acontecendo, mas em 2050 a nossa roupa será totalmente atualizável, adaptável e otimizada para a forma como queremos nos expressar em qualquer dia particular. Nossas roupas e acessórios serão feitos de tecidos e materiais inteligentes que se comportam como um polvo trocando de cor, estampa e textura com o toque de um botão.

Quando a tecnologia estiver disponível em larga escala, será a mais revolucionária e a mais sustentável já criada na moda, pois tornará obsoleto todas as tecnologias de tingimento e estampagem de tecidos usadas há milênios. Em vez de comprar roupas novas, basta mudar somente as cores e estampas para criar inúmeras composições da mesma peça de roupa. As estampas e cores poderão ser baixadas da internet por meio de um aplicativo no smartphone conectado via bluetooth ao tecido.

 

Personalização em massa com minifábricas de impressão 3D

A maioria de nós terá em sua cidade minifábricas automatizadas de impressão 3D, bem como poderá ter sua própria impressora 3D em casa. Novos materiais biodegradáveis estarão disponíveis para fabricar roupas, sapatos, bolsas e dispositivos eletrônicos localmente, que podem ser facilmente reciclados ou decompostos nos aterros.

A tecnologia de escaneamento corporal feita por meio de seu smartphone tira as medidas exatas de seu corpo, criando um avatar virtual em que as roupas e sapatos são ajustados e depois fabricados de forma personalizada, vestindo perfeitamente em seu corpo. Com minifábricas automatizada de produção super-rápida instaladas em cada cidade, tudo será personalizável para se adequar às exigências do consumidore. Será a forma mais democrática de consumo já inventada.

 

Cresça suas próprias calças de couro

Em 2050, serão comuns as fábricas de bioimpressão 3D com máquinas que crescem tecidos a partir de culturas microbianas. Imagine um vestido fabricado com bactérias ou cogumelos convertidos em um material que tem o toque da seda e ainda pode “ler” e “transmitir” informações sobre o estado de espírito do usuário. Os veganos ficarão feliz em saber que um dia, em breve, as calças de couro serão feitas a partir de proteína animal crescida em laboratório sem nunca chegar perto de uma vaca. Mais bizarro ainda é que o DNA de uma celebridade ou do próprio estilista da marca poderá ser utilizado para se criar “couro humano” para roupas e acessórios de luxo.

 

Nós vamos comprar menos

No futuro, o consumismo desenfreado perderá a força e, razão das preocupações sobre sustentabilidade e ética das novas gerações de consumidores que nascerão cercados pela internet das coisas e altíssimo acesso à informação. Com a automatização de todas as indústrias e processos de produção controlados por robôs inteligentes, os seres humanos ficarão livres para gastar seu tempo criando novas formas de tecnologia e aprendizado.

Os produtos serão projetados e construídos para durar muito tempo e as tendências passageiras atuais serão substituídas por produtos com design atemporal que poderão ser atualizados facilmente trocando a textura, forma, cor e estampa do tecido ou material por meio da tecnologia vestível. A cultura de compartilhamento será comum em 2050 e as novas tecnologias ajudarão a nos conectar melhor globalmente uns com os outros em qualquer lugar a qualquer hora.

 

José Luiz Ferreira Vice-presidente da Acimm