Blogs

  • Mai

    07

    2019

Como sair do vermelho

Qual é o empreendedor que nunca ficou no vermelho? Todo mundo já passou por perrengues e sabe o quanto é difícil equacionar esse tipo de situação. Para quem está enrolado com cartão de crédito, cheque especial e muitas prestações, se livrar das dívidas pode, muitas vezes, parecer apenas um sonho distante. No entanto, você não precisa de um milagre: com disciplina e organização, é possível botar ordem na sua vida financeira e sair do vermelho.

A fim de ajudá-lo a superar essa situação incômoda, sugerimos 7 dicas que vão desde o pagamento dos débitos atuais até o controle das despesas, a fim de evitar um novo endividamento. Vale lembrar que isso não é demérito para ninguém, afinal, em tempos de vacas magras o jeito é se cuidar financeiramente.

1. SAIBA QUANTO ESTÁ DEVENDO

É bem possível que você tenha acumulado tantos empréstimos nos últimos tempos que já nem saiba ao certo o tamanho das suas dívidas.

Esse é justamente o primeiro passo a tomar se quiser se livrar das dívidas: ter conhecimento sobre todas as pendências financeiras. É preciso elencar os débitos, saber qual é o valor das parcelas (bem como a soma total) e quanto tempo falta para quitar cada um deles.

Também é importante considerar a taxa de juros praticada em cada dívida, pois essa informação será essencial ao decidir qual delas atacar primeiro.

 

2. DEFINA QUAIS SÃO AS PRIORIDADES

Depois de ter a relação completa de quanto você deve, o próximo passo é definir quais são as dívidas que precisam ser saldadas primeiro. O ideal é começar por aquelas que tenham juros maiores, como o cheque especial e o cartão de crédito.

Deixar de pagar essas dívidas o mais rapidamente possível pode transformá-las em uma bola de neve financeira, pois as taxas praticadas nessas modalidades são altíssimas e costumam fazer o saldo devedor crescer em velocidade impressionante — em alguns casos, até mesmo dobrar em poucos meses!

 

3. LISTE SEUS GASTOS E FAÇA UM ORÇAMENTO

As suas dívidas não são os únicos gastos que você tem. Ainda é preciso bancar alimentação, moradia, transporte, contas de água, luz e telefone, assistência médica, entre muitas outras despesas.

Se seu salário não dá conta de cobrir tudo isso, acabará sempre endividado. Por isso, é bom fazer um orçamento e adequar seu padrão de vida a ele.

Um bom jeito de realizar esse levantamento é usar um aplicativo para anotar gastos. Como você está sempre com seu smartphone, fazer o controle fica muito mais prático. Se não gostar dessa sugestão, também é possível recorrer a uma planilha em seu computador ou até mesmo ao bom e velho caderninho. O importante é manter a disciplina e o foco.

Dessa forma, você terá noção de como estão seus gastos em relação à sua renda e identificará possíveis desperdícios (compras em excesso ou assinaturas de serviços que não está usando, por exemplo). Cortar despesas supérfluas é uma ótima maneira de liberar espaço no orçamento a fim de pagar as dívidas.

Toda essa organização financeira também mostrará qual é o valor máximo de parcela que cabe no seu bolso. Essa informação é essencial às próximas duas dicas: renegociar as dívidas ou trocá-las por uma com juros menores.

 

4. RENEGOCIE AS DÍVIDAS

Você já sabe o quanto deve, quais débitos precisam ser quitados primeiro e qual quantia pagar por mês. Agora é a hora de encarar os credores e tentar renegociar.

Procure os bancos, financeiras e administradoras de cartão de crédito, apresente sua situação financeira, faça uma proposta e veja o que eles oferecem para ajudar. Muitas vezes, é possível conseguir mais prazo ou até um abatimento no valor.

 

5. TROQUE AS DÍVIDAS POR UMA ÚNICA COM JUROS MENORES

Qualquer que seja o resultado da renegociação de que falamos na dica anterior, não deixe de considerar a possibilidade de trocar suas dívidas por uma única que ofereça melhores condições de pagamento.

Uma ótima opção é o Empréstimo com Garantia de Imóvel. Nessa modalidade, também conhecida por hipoteca ou home equity, você pega dinheiro emprestado e apresenta um imóvel em seu nome — uma casa, um apartamento ou uma loja — como garantia de pagamento.

Uma das principais vantagens desse tipo de empréstimo é a taxa de juros baixa, consideravelmente menor do que aquela praticada no cheque especial, no cartão e no crédito pessoal. Muitas vezes, ela chega a ser mais baixa que a do crédito consignado.

Além disso, essa modalidade também oferece longos prazos de pagamento, superando o horizonte de dez anos, como em um financiamento de imóvel. Isso deixa as parcelas menores, cabendo mais facilmente no seu orçamento.

 

6. CONTROLE SUAS DESPESAS PARA NÃO SE ENDIVIDAR DE NOVO

Não adianta quitar seus débitos e entrar na mesma situação depois por puro e simples descontrole financeiro. Você precisa desenvolver o hábito de controlar seus gastos.

Para isso, retome o orçamento de que falamos na dica 3 e estipule os valores máximos mensais de cada categoria de despesas — alimentação, moradia, transporte, compras, lazer etc. Lembre-se, obviamente, de priorizar o que é necessário, mas não deixe de reservar um dinheiro para as coisas que dão prazer.

Também é importante tomar muito cuidado com o cartão de crédito. Evite parcelamentos, defina um limite baixo (50% da sua renda é uma ótima referência) e cumpra sempre o valor total da fatura, pois, como dissemos, são bem altos os juros cobrados ao pagar o mínimo ou parcelar o saldo devedor.

 

7. FAÇA UMA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Se tudo der certo, será possível pagar suas prestações de um financiamento com juros menores, dar conta de todas as despesas e ainda ter um dinheirinho sobrando no final do mês. O ideal é não gastá-lo e, sim, guardá-lo para uma eventualidade.

Essa é a chamada reserva de emergência. Ela serve para cobrir custos excepcionais, como um conserto no carro, remédios no caso de uma doença, um celular novo porque o seu parou de funcionar, entre outros. Assim, não é necessário recorrer ao cheque especial ou ao cartão de crédito, evitando novos débitos.

Como você viu, se livrar das dívidas não é uma tarefa fácil, mas também não é impossível: você precisa saber quanto deve, pelo que começar a pagar, de que forma conseguir condições melhores e tomar cuidado para não cair nessa situação novamente.

 

José Luiz Ferreira é Vice-presidente da Acimm